Das últimas vezes que meus companheiros de capital nos vimos, vez ou outra falávamos a respeito de relacionamentos: dos meus [houve mesmo algum?! rs], deles, das outras pessoas, das imaginações. Ontem, quando meus amigos foram embora e eu resolvi ficar no barzinho com dois vagos conhecidos que foram embora de foz, analisava o ambiente que estava, distribuia sorrisos, estava bem. Aliás, essas duas semanas foram super boas: ganhei o carinho de um amigo meu que sinceramente não esperava, consegui contornar os problemas do trabalho de uma maneira bem susse, ocupei minha mente com inúmeras coisas.
Quando caminhava hoje à tarde pra casa dum amigo, ruminava sobre tudo isso. Pensava que ainda que a gente determina muitas coisas, não temos na verdade o controle de nada. Podemos pautar nossas escolhas, dosar nossas ações, planejar... mas no fim das contas o presente é o que conta. O que é que ando fazendo do meu presente? Deste exato minuto?
Bem, é isso...
domingo, 25 de março de 2007
quinta-feira, 22 de março de 2007
Outono
Pois eh, meu confessionário virtual... ando tão sem inspiração pra escrever qualquer coisa que por vezes acho que estou emburrecendo. Mas daí vem Drummond e traduz exatamente o que senti nesses últimos dias.
Desejos
Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
[Carlos Drummond de Andrade]
Bem, é isso...
terça-feira, 13 de março de 2007
Pensamentos e Constatações Líquidas
Misto de vaidade, misto de solidão, misto de desapego, misto de uma puta vontade de escrever. Isso é o que me move hoje. Me impele a confessar simplesmente: falhei. Tento por vezes andar na contramão do que é proposto, do que vemos, sentimos e ouvimos, mas vejo que cada dia mais se torna dificílimo para mim.
Sabe quando há momentos nos quais você duvida de tudo, de todos, tal a velocidade das coisas e situações? Pois é. Num mesmo dia sou obrigado por vezes, e em outras por livre e espontânea vontade, a fingir papéis. Ser um fingidor-mor, como dizia Fernando Pessoa. Daí quando entro no meu catre, percebo que nem ao menos identificação nenhuma possuo no lugar onde repouso meu corpo, onde passo horas dormindo, tomo meu café frugal, quase nunca almoço, saio correndo para compromissos nem tão importantes assim.
Talvez tudo isso pra justificar essas sensações que mal consigo distinguir claramente do que se trata. Mas daí, fim de semana: o encontro com amigos [Deus que me perdõe, mas tem horas que eu duvido veementemente se eles são mesmo meus amigos. E mais do que isso: se eu tenho sido amigo deles também.], para falar dos mesmos assuntos, falar mal uns dos outros, ir aos mesmos lugares. No fundo, refletimos uns nos outros as nossas misérias e incapacidades.
Comparo esse misto de coisas nas quais eu sinto como um prisioneiro de guerra no qual é obrigado a ficar dias sem dormir: tal a privação de sono este deixa de ser pessoa, passa a ser número, boneco, ventríloco, robô, mecânico. Desprovido de sentimentalidades, ideais, espiritualidade, compromissos, responsabilidades, enovolvimento, comprometimento. Passa a ser guiado pelas novidades, dvd's, cd's, tratamentos de estética, computadores, salas de bate-papo, encontros e mais encontros virtuais nos quais todos sabemos que a probabilidade de chegarem a algum lugar é quase nula, roupas, celulares, comidas, shoppings, pagamento de contas e mais contas, cobranças...
Quando minha chefe ontem chorava, me contando todos seus problemas, era como se estivesse refletido naquele discurso o eco das minhas dores. Sim, eu disse coisas positivas pra ela, mas que no mais íntimo de mim eu não acreditava em nada do que eu próprio dizia, tal o pessimismo que me encontro. Quantas pessoas, não importando que seja nas grandes ou pequenas cidades, gritam por socorro, ainda que de forma pueril e disfarçada?
Quantos sonhos e aspirações são sacrificados em nome de preconceitos arraigados, consumismo desenfreado e imagem exacerbada do "look my body"? Quem garante que todo esse post que pouquíssimas pessoas lêem, seja verdadeiramente resultado de um processo de dor na qual me encontro?Ou se é apenas uma postagem de alguém frustrado, pessimista, rancoroso e talvez até presunçoso?
Não sei. A única coisa que eu sei é que estou cansado de gritar por socorro. Às vezes a "anestesia" é tão cavalar que eu desejo qualquer coisa, deve ter algum sentimento qualquer que sirva.
sexta-feira, 9 de março de 2007
Listagem de Filmes Vespertinos Que Todo Vagal [ou semi-vagal] Como Eu Deve Assistir
Desde quando comecei a trabalhar [na verdade desde que me mudei pra cá, admite, vai!] tenho o costume de no meio da tarde ir no cine assistir um filminho. As vantagens são muitas, pois pego a sala praticamente vazia, sem criançada, sessões super baratas, gente estilo "maria porcina" [adora um fervo, ainda mais em local que nem fica bem], tudo muito relax, tudo muito bem. Daí inspirado por uma amiga minha há um tempo atrás resolvi postar a lista dos filmes que vi [se eu lembrar de todos] e alguns comentários. Lá vai:
Bem, como minha memória não quer colaborar nos nomes dos outros filmes que curti e curto,de início listo estes mesmos...
é isso...
Pequena Miss Sunshine: Pega todos os elementos de uma historieta que poderia ser clichê mas consegue ser genial, inteligente, por vezes meio ácida. Vale a pena conferir
A Rainha: Figurinos bem retratados, bons atores, história bem construída e interpretação da Elizabeth II sem palavras [parece comentário de quem nem tem muito o que dizer, mas td bem...]
Vênus: Achei o enredo dele parecido com Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez. Interessante como muitas coisas a gente só tem um "click" quando estamos em momentos de crise. Um dos melhores filmes que já vi.
Perfume de Mulher: Comecei a gostar de tango quando vi o Al Pacino dançando "Por Una Cabeza" de Carlos Gardel. O detalhe que o personagem dele, cego e meio antipático é que mais se apresenta como alguém sem tantas máscaras desde o início do filme. Aprendi com ele que o problema não é ter máscaras e usá-las eventualmente, mas sim renegá-las a todo instante.
As Horas: Três mulheres, três histórias diferentes, um ponto em comum: a dificuldade de lidar com o vazio delas mesmas. Aliás, vazio presente todos nós.
Beleza Americana: Viva o 'AMERICAN DREAM', com todo o ônus que isso pode causar...
Mach Point: Me identifiquei em alguns momentos com o personagem principal: pra ter status somos capazes de cometer qualquer coisa.
21 Gramas: Prende atenção do começo ao fim.
Como Eliminar Seu Chefe: [esse eu vi de madrugada, mas tá valendo, rs] Até hoje penso que os melhores filmes que a Globo exibe só passa pra insones e vagais vespertinos. Pra mim esse filme de 19 e lá vai pedrinha fez valorizar um pouco mais minhas amizades, ainda que nem demonstre tanto.
Bem, como minha memória não quer colaborar nos nomes dos outros filmes que curti e curto,de início listo estes mesmos...
é isso...
quarta-feira, 7 de março de 2007
A Semana [que bem que poderia ser deletada]
Pois eh, meu estimado diário virtual... saudades? A vida e os acontecimentos dela são tão atribulados que meus comentaristas sumiram e até eu sumi destas páginas...
Bem, a semana começou duma maneira tão estressante que parece até capítulos de novela: mato, eclipse, papo chato, estresse, mosquitos, assalto, mais estresse, sensação de impotência, paixonites agudas [não da minha parte, lógico], chatices no trabalho, pouco dinheiro, frustração, bebedeiras... se o Manoel Carlos me conhecesse, acho que eu seria o Heleno dele da próxima novela.
Bem, é isso...
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Hummm, Tanto Faz?!
Tanto faz se dois e dois são quatro. Tanto faz se tenho um emprego interessante, uma conta bancária razoável ou se estou negociando desesperadamente dívidas. Tanto faz se gritam comigo, como se fosse uma criança idiota, retardada ou se me tratam com lisura, respeito, interesse.
Tanto faz se sou promíscuo, se me acham que sou feio, vil e puto, ou se me julgam o "finalzinho da bolacha", o bonitinho, inteligente, gostosinho, etc e tal.
Tanto faz se vc chega perto de mim ou se vc some. Tanto faz se sou santo ou profano. Tanto faz se escrevo bons textos ou se me sinto aprisionado numa rotina estressante, idiota, massificante.
Tanto faz se bebo aos montes ou se sou o mais sóbrio dos seres mortais. Tanto faz se moro em Curitiba ou Engenheiro Beltrão. Tanto faz se estou cansado de ver as mesmas pessoas ou não.
Mas com certeza uma coisa, e tão somente uma, faz diferença em todo esse discurso nesta sexta-feira: Importa muito eu ter ciência de quem eu seja, do que sou capaz, até quando posso ir, do que quero e não quero. Daí, estimado diário virtual, as coisas "tanto faz" não são bem assim, rs.
Bem, é isso...
Tanto faz se sou promíscuo, se me acham que sou feio, vil e puto, ou se me julgam o "finalzinho da bolacha", o bonitinho, inteligente, gostosinho, etc e tal.
Tanto faz se vc chega perto de mim ou se vc some. Tanto faz se sou santo ou profano. Tanto faz se escrevo bons textos ou se me sinto aprisionado numa rotina estressante, idiota, massificante.
Tanto faz se bebo aos montes ou se sou o mais sóbrio dos seres mortais. Tanto faz se moro em Curitiba ou Engenheiro Beltrão. Tanto faz se estou cansado de ver as mesmas pessoas ou não.
Mas com certeza uma coisa, e tão somente uma, faz diferença em todo esse discurso nesta sexta-feira: Importa muito eu ter ciência de quem eu seja, do que sou capaz, até quando posso ir, do que quero e não quero. Daí, estimado diário virtual, as coisas "tanto faz" não são bem assim, rs.
Bem, é isso...
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Kdê?!

Cadê?!
Simplesmente foi essa a pergunta na qual me fiz ontem. Fui ao cine ver o filme A Procura da Felicidade [ótimo!]. Saio de lá super pensativo, normal quando assisto filme no meio da semana sozinho. Depois, quando chego no trabalho, a "sorte" do orkut: pare de procurar eternamente; a felicidade encontra-se bem ao seu lado.
O que significa felicidade? Sei que isso é algo complexo de exemplificar. Canções, poemas, teorias, dogmas falam sobre uma temática que persegue nossos sonhos. Passamos boa parte da vida resolvendo pepinos que a gente mesmo criou. Outra parte tratando de cumprir papéis que desde pequenos devemos fazer. Não estou renegando tais papéis, pois sem eles a convivência na sociedade seria um verdadeiro caos. No entanto, nem sei se somos realmente levados a questionar se não há algo além desses papéis.
bem, é isso...
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Crônica de Carnaval

Ah! O carnaval! Essa época do ano singular...
A primeira referência que tive sobre o carnaval foi mais ou menos quando eu tinha uns 4 ou cinco anos. Minha mãe, que sempre adorou essa festa, fazia com que todos os filhos saíssem no bloco da cidade [Flor de Mamona, isso. O nome do bloco]. Lembro que eu tava doido pra mijar e minha mãe disse pra fazer as necessidades no meio da rua, da calçada. Afinal, criança, quem é que ia dizer alguma coisa? Chegaram até a tirar uma foto disso e sinceramente: ainda bem que deram fim nela.
Passaram-se alguns anos e eu devia ter uns 14 anos quando fui ver o desfile na cidadezinha onde morava. Qual foi minha surpresa em ver minha mãe vestida numa fantasia ridícula de oncinha, pulando que nem doida com um bando de mulherada e bicharada tresloucada. Meus amigos, meu irmão ali. E eu, escondendo a cara, morrendo de vergonha daquela cena, digamos, pitoresca. Mas ela estava lá, toda feliz, "tocando um foda-se" pra quem julgasse. Inclusive seu filho.
Interessante como durante muitos anos tentei veementemente ser a negação de minha mãe. Adolescente, sabe como é: só enxerga os defeitos dos pais, nunca as qualidades. Demorou muito tempo até perceber que herdei da minha mãe a melhor qualidade: aquele jeitão alegre, pouco importando se os outros iam ficar olhando torto.
Bem, onde estava?! Ah!
A bem da verdade é que sempre gostei de carnaval, mas por alguns pudores que eu mesmo inventei, ficava super na minha. Mesmo durante os primeiros quatro anos nos quais morei sozinho sempre tentava manter um pouquinho a pose com relação a muitas coisas, inclusive essa festa. Acho que eram os resquícios do que eu criei e que também muita gente e instituição contribuiu: de que o carnaval é uma verdadeira putaria, onde durante três ou quatro dias as pessoas faziam tudo o que era reprimido durante o ano todo, uma forma de controle social das elites pra manter a plebe acalmada [todo mundo diz que as coisas no Brasil só começam depois do carnaval. Se assim fosse, eu só ia começar a trabalhar em março, e não em 2 de janeiro. rs]. Pode até ser que em parte seja isso mesmo. Mas a essência desta festa é encantadora, até mesmo para quem não simpatiza muito com ela. Se tentássemos levar a vida com a mesma leveza de espírito, brincadeira, êxtase e positivismo que a festa proporciona, mais da metade de nossos problemas sumiriam. Simples assim.
Sexta-feira, quando me encontrei com o Vitor num barzinho, brindei por duas coisas: por um ano que conheço essa figurinha singular e por um ano de Curitiba. Me mudei pra cá justo na época do carnaval, pra uma cidade que nem tem tanta atração pela festa. Vai ver por isso que neste exato momento em que registro essas linhas, abro meu coração e mente, agradecendo pelas conquistas, desafios e dores e pedindo que eu enxergue a vida com a beleza do "batimcumbum". Mesmo com um empreguinho, me sentindo só e com enorme medo de encarar algum relacionamento.
Bem, é isso...
" É hoje o dia/da alegria/
E a tristeza/nem pode pensar em chegar/
Diga espelho meu/
Se há na avenida alguém mais feliz que eu..."
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Valentines Day!!!
Eu poderia dizer que ontem teria sido um dia normal, morno. Acordar, trabalho, alunos, escola, chefes, Dona Neuza... enfim... muitas coisas. No entanto digamos que não foi bem o que eu esperava. Mais uma vez me meti a marcar encontros pela internet, contra todos os prognósticos que minha mente já preparava e tudo mais, o encontro foi interessante, mas de maneira nenhuma surpreendente.
Sabe quando vc se imagina no mundo dos Jetsons [acho que é assim que se escreve, um desenho futurista que passava quando eu era criança]: tem aquela empregada que faz tudo, os carros que voam, tudo perfeito? Pois é, diante de tantas frustrações passadas, meu psicológico deve ter imaginado alguém que de tão perfeito chega a ser inatingível. A caminho de casa, quase quatro da manhã de hoje, pensava: Existe? Ou tudo isso, todo esse ideário é imaginação?
Pela manhã, enquanto tomava banho pra ir ao cine antes do trampo, dei risada sozinho, pois dentre outros assuntos falados, o futebol caiu no meio [dizem pra nunca falarmos de time, jogo num primeiro encontro, mas acho que isso funcionou].
Estranhamente, depois do filme eu pensava em tantas coisas que a absurda sensação de 'falta não sei do que perdi não sei onde' apareceu, de um golpe só, simples. É um tipo de solidão e frustrações nas quais por mais que eu tentasse compartilhar com alguém seria impossível de exemplificar, pois além de quem quer que fosse emitir um julgamento, quase sempre simplório, a pessoa jamais estaria dentro de mim. É como o cidadão que viu a foto da maçã, cheirou a maça, tocou a maçã, mas nunca comeu a maçã. Então não sabe do que fala. Como eu, que confesso: sei pouco, ou quase nada, de amor. Acho bela a data do dia 14 de fevereiro. Já disse aqui uma vez e repito: essa data pra mim é a que considero dia dos namorados mesmo, pela história.
Zapeando pela net ontem, achei uma frase da Janis Joplin que definitivamente tenta expressar o pouco do que sinto: 'Eu faço amor com 25.000 pessoas no palco e sempre volto pra casa sozinha'. De certa forma é o que têm acontecido repetidas vezes comigo, e creio que com boa parte das pessoas dessa cidade, desse planeta. Sim, também tenho outros problemas e dúvidas, mas todas essas sempre dou um jeito de superar. Agora, essas de ordem sentimental...
Dia desses cheguei a rogar nas minhas orações que eu fosse menos duro. Não sei se serei atendido, mas sei que mesmo com todos esses bloqueios e sequelas, parado é que nem posso ficar.
Bem, é isso...
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
I Still Haven't Found What I'm Looking
ForCher
Composição: U2
I have climbed the highest mountains
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you
I have run I have crawled
I have scaled these city walls
Only to be with you
But I still haven't found
What I'm looking for
But I still haven't found
What I'm looking for
I have kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like fire
This burning desire
I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of a devil
It was warm in the night
I was cold as a stone
But I still haven't found
What I'm looking for
But I still haven't found...
______________________________________________
Tradução:Eu ainda não achei o que estou procurando
Eu escalei as montanhas mais altas
Eu ultrapassei os campos
Só para estar com você
Só para estar com você...
Eu corri, eu rastejei
Eu escalei, estas paredes da cidade
Só para estar com você
Mas eu ainda não achei
O que estou procurando...
Eu beijei lábios de mel
Senti a cura nas pontas dos dedos dela
Queimou como fogo
Este desejo ardente
Eu tenho falado com a língua dos anjos
Eu segurei a mão de um diabo
Estava a noite quente
Eu tive frio como uma pedra
Mas eu ainda não achei
O que estou procurando...
Eu acreditava na vinda do reino
Então todas as cores sangrarão em uma
Mas sim eu ainda estou correndo
Quebrou os laços
Você soltou as cadeias
Você levou a cruz
E minha vergonha
E minha vergonha...
Você sabe que eu acredito nisto
Mas eu ainda não achei
O que estou procurando...
Pois eh...
Depois de tanta coisa acontecida, ruminada, pensada, experienciada e sentida nesses dias, nos quais um turbilhão de sensações se passaram na mente desse estranho ser, essa letra dessa composição super bacana feita pelo U2 e interpretada pela Cher traduzem o que sinto.
Bem, é isso...
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Cartilha do Beijo
Pois eh...
Hoje no jornal da 13:15 vi que o governo lançou uma cartilha para jovens falando sobre sexualidade, de um jeito bem interessante, divertido. E uma das coisas que me chamou a atenção nem foi tanto a discussão entre os educadores [uns acham que ela vai estimular os jovens a fazer mais sexo, outros acham que não, outros ainda defendem que o uso da cartilha seja compartilhada entre pais e alunos], mas a explicação sobre o beijo: reações que dá no corpo, benefícios que este dá [dizem que queima calorias e faz bem pra pele], essas coisas.
Fiquei pensando a caminho do trabalho sobre os beijos que tive e me propus a fazer um breviário, um manual do beijo. Lá vai:
BV: popularmente conhecido como "boca virgem". Cidadão que ainda não teve a oportunidade de aproximar seus lábios em outros. Em alguns casos, a língua, os dentes, o aparelho ortodôntico, a lasquinha de alface...
Selinho: é aquele beijo que seus pais dão de vez em quando, um beijo de "bom dia, querida (o)", quando vc naum está tão afim do pretendente ou ainda quando a pessoa tem mau hálito [aaarrrgh!].
Beijo Técnico: dizem que é o que os artistas dão nas novelas, cinema e teatro. Fico pensando se eu recebesse um beijo técnico de... humm... deixa quieto...
Enrosca-Ferro: beijo de quem usa aparelho. Também entra nessa nomenclatura os que possuem piercing.
Beijo de Língua: como o próprio nome diz, é o beijo onde esses ditos órgãos se encostam e trocam, digamos assim, fluídos.
Beijinho: importante não confundir com o docinho de nome homônimo. Esse beijo é o que alguns parentes ou amigos dão uns nos outros, simbolizando amizade.
Passa-Gelo: é um tipo de beijo no qual é dado quando um dos participantes quer passar o gelo para o outro. E olha que isso dá um calor...
Beijo-de-Tirar-o-Fôlego: aquele no qual passaram-se mais de cinco minutos, todo mundo na festa fica admirado [ou de inveja de nem ter conseguido alguém] que o casal ainda está trocando fluidos.
Beijo Romântico: esse é um dos melhores. Pode ser que a pessoa na qual você está apaixonada (o) nem beije tão bem assim, ou que ele (a) não seja o garanhão ou a mina, mas não é que cada vez que vc beija essa pessoa fica querendo mais e mais? Paradoxo...
Acho que existe tantos outros tipos de beijos... que fica difícil vc dizer qual destes é o melhor, pois beijo é beijo e até o beijo ruim traduz alguma coisa. Particularmente o beijo no qual eu guardarei pro resto da vida é um com gosto de macarrão alho e óleo. Não gosto de comparação, mas pra mim esse tme um valor especial.
E pra vc que visita minhas páginas, qual é seu beijo?
bem, é isso...
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Little Miss Sunshine
Essa é a quarta vez que tento postar. O título desse post refere-se a um filme que eu vi no sábado e a noite super agradável que eu tive. Mas aconteceram tantas coisas nesses dias que perdi toda a inspiração. O fato é que a mensagem do filme coube bem direitinho com meu dia de ontem, que foi um verdadeiro saco. Daí no post da Jackou vejo algo falando sobre o Daniel...
Concordo plenamente: as pessoas deveriam mais é cuidar de suas vidas. Coisa que confesso, não tenho feito direito. Se cada pessoa cuidasse do que diz respeito tão somente a ela e facilitasse a vida do bem comum, isso seria um paraíso. Mas a gente fica produzindo verdadeiros "inferninhos", algumas vezes por sermos masoquistas mesmo, outras por não ter o que fazer, ou ainda por pura ingenuidade.
Sei que correr atrás daquilo que se propõe é difícil, às vezes chato, ácido. Mas mesmo assim vale a pena.
bem, é isso...
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é algo que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é mais arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é o inferno, e preservá-lo, e abrir espaço".
Ítalo Calvino
AS CIDADES INVISÍVEIS
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Paulo Coelho e o Menino das Laranjas

Há exatos dez anos caía nas minhas mãos O Alquimista [um dos livros mais famosos do Paulo Coelho]. Estava na 8ª série, cabecinha de vento cheia de sonhos e aspirações. Na época, achei um dos livros mais belos nos quais eu tinha lido até então, por incentivo de uma professora de português que lia trechos da obra nas aulas de literatura. Não entendia o porquê de tantas pessoas, especialmente escritores de peso, criticarem tanto esse senhor carioca mundialmente conhecido como o mago.
O tempo passa, muitos livros [e idéias] depois, pela mesma obra do acaso esse livro caiu nas minhas mãos outra vez. A senhora na qual me deu o livro disse que ia jogar fora. Eu, que já nem era mais fã do Paulo, por algumas razões simples e particulares, pedi que me desse o livro.
Enquanto folheio novamente as páginas, me lembro de um tempo em que as coisas eram mais leves, porque eu via o mundo de uma forma mais leve, talvez. Ao mesmo tempo, lembro de uma entrevista no Jô Soares e uma viagem que a Glória Maria fez com o mago na Rússia e a imagem de um homem simples caiu completamente por terra: minhas raízes ditas "socialistas", se é que posso chamar assim, se escandalizaram com um homem no qual falava de coisas tão simples e belas, contrastando com um estilo de vida apuradíssimo. A bem da verdade é que a imagem daquele senhor me pareceu soberba, arrogante.
No entanto, eu seria injusto em não ressaltar algumas coisas sobre ele:
a) ele escreve bem. Se assim não fosse, seus livros seriam verdadeiros fracassos literários.
b) suas obras falam de coisas que todo mundo sabe [se reparar bem, é uma junção de ditados e sabedorias que nossos antepassados praticavam], mas que poucos têm coragem de fazer: de viver e moldar sua vida, ter as rédeas do destino.
c) Ele é esperto: junta experiências próprias com a atual busca, ou o que poderíamos chamar de retorno ao sagrado [nunca se viu tanta busca nos dias de hoje a tantas práticas de cunho espiritual pra aliviar as dores do cotidiano ou em busca de uma razão pra vida].
E de onde é que tirei o menino das laranjas nisso?
É que hoje, enquanto estava trabalhando, essa composição gravada pela Elis Regina e Jair Rodrigues, tão simples, fala da vida dura de tantas pessoas que diante de muitas circunstâncias abandonam seus sonhos pra comer, beber. Deixam de acreditar que são capazes de ser muito mais do que podem ser. Sei sim que essa organização social colabora pouco pra promover a dignidade; é perniciosa, excludente e preconceituosa em grande parte.
Mas acredito sempre que há uma força estranha que emana do mais íntimo de nós todos os dias, de modo que façamos a seguinte pergunta, parafraseando a letra da música:
O QUE FAZER PARA A VIDA MELHORAR?
Por isso que estou lendo o alquimista. E justamente por essa análise particular [e mesmo não me simpatizando pela pessoa do Paulo Coelho] é que acho a obra simples, bacana, tocante.
"compra laranja doutor, e ainda dou uma de quebra pro senhor..."
[a letra e a música são ótimas, tá em qq beco da net]
bem, é isso...
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Otimização dos Resultados

Sábado fui a uma festa, convidado por um amigo meu. O evento era numa cobertura dum prédio comercial super chique no centro cívico, com uma vista da cidade simplesmente bacana. As pessoas estavam bem vestidas, todo mundo super bonito, caras e bocas. Por um instante, eu, morrendo de dor de cabeça e passando mal por causa duns pães de queijo com café que comi antes de sair de casa [pois eh, passar mal com pão de queijo?! Ninguém merece!!!], pensava que estava na edição do BBB7: tudo artificial demais pro meu gosto, tudo muito bem, muito bom, enfim.
Até que me esforcei, mas a bem da verdade era que não me diverti nenhum pouco. Com certeza eu deveria estar chato no dia. Se eu não estivesse do jeito que estava, com certeza levaria isso numa boa, me conheço. Mas toda aquela artificialidade, somada ao meu mal estar, me incomodava, eu me sentia um peixe fora d'água: dependente do meu amigo pra estar ali, sem dinheiro, com a impressão de ostentar pros outros algo que nem tenho. E aqui estou falando do ter mesmo, e de como a imagem é super importante e valorizada na cultura de hoje.
Lá pelas tantas, com a dor de cabeça domada e a vontade de vomitar apaziguada, comecei a traçar objetivos na minha mente pra esse ano de 2007. Confesso que não sei se fui movido pela raiva ou o quê, mas assim que cheguei em casa, escrevi num papel as coisas que eu quero pra esse ano e também algumas práticas diárias. De maneira que dessa data em diante eu possa ser o protagonista da minha vida, e não o espectador, como na maioria das situações eu costumo ser. Se eu vou conseguir ou se meus propósitos são tão nobres quanto a firmeza do meu frágil espírito? Não sei. Só sei que cansei de perseguir os sonhos sem levar em consideração a otimização dos resultados.
Bem, é isso...
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Descompasso

Pois eh...
Ontem descobri que meu coração está descompassado. E foi uma descoberta tão lógica quanto dois e dois são quatro. Durante todo o dia, de um jeito ou de outro, os assuntos caiam no "lugar comum": amor.
Sempre tive comigo que sou alguém fácil de se apaixonar, fácil de amar, que sempre sonhou com um amor, digamos, 3x4 [uma expressão inventada por esse medíocre ser, que quer dizer aqueles amores nos quais todo mundo sonha, algo mágico, sublime, ímpar, compassado, belo. Mas acima de tudo, REAL]. Tudo isto caiu por terra.
Quando as pessoas nas quais eu me encontrei ontem falavam de suas histórias de amor, percebi dentro do meu ser a mais pura miséria sentimental na qual me encontro. E sabe o que mais? Não me senti nenhum pouco culpado por isso, ao contrário: é como se pela primeira vez eu tivesse encarado de frente a realidade e, consequentemente, libertado meus mais profundos sentimentos e sensações que me afligiam. Compreendi que o amor não é uma coisa que a gente caça. Nós é que somos caçados por ele, de uma forma ou de outra. Compreendi que a gente fica inventando formas mirabolantes pra buscar algúem quando na verdade essa brincadeira de pega pega é perniciosa: em vez de assumidamente expurgar nossas carências simplesmente preferimos por alimentá-las, tratá-las com anabolizantes, de modo que qualquer dia desses, elas nos dão um nocaute. Simples assim.
Meu amigo Ricardo disse, já no fim da noite e algumas biritas, que ele uma vez amou a ponto de dar a vida. Eu suspirei bem fundo, dei minha risada de sempre e falei: 'e eu que achava que vc era frio quando te conheci. O frio sou eu'.
Para as pessoas que me conhecem há bem mais tempo, esse post de hoje deve soar como mais uma das minhas esquisitices, que eu sou um menino super doce, mas sequelado. Pode ser que tudo isso seja verdade mesmo. No entanto essa descoberta do meu descompasso abre precedentes pra que eu seja mais sensível as coisas, pois da mesma maneira que me descobri um ser que se faz de doce em certas ocasiões pra disfarçar seu egoísmo, cóleras sucumbidas e dor também enxerguei que é mais válido ser sincero consigo mesmo do que com qualquer pessoa. E isso é caminho pra libertação, pelo menos é nisso que acredito.
É claro que eu desejo ser encontrado pelo amor, mas rogo a Deus que eu seja merecedor de tal dádiva.
Hoje, enquanto cantava minhas músicas aqui na escola e meus colegas de trabalho dando risada, me perguntaram:
- Você está apaixonado, amando?
e eu:
- Não. Estou celebrando minhas misérias.
Vai entender...
e pra completar meu desvario, ouvi hoje uma canção antiga, mas que curiosamente traduzia minha alegria ao descobrir meu descompasso.
Vou Festejar
(Beth Carvalho)
Composição: Neoci / Dida / Jorge Aragão
Chora, não vou ligar
Chegou a hora
Vai me pagar
Pode chorar, pode chorar
É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porque
Vou festejar, vou festejar
O teu sofrer, o teu penar
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
Você pagou com traição...
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
E Agora José?
Quando criança queria ser muitas coisas: jogador de vôlei, escritor, apresentador de telejornal, ator, professor, presidente da república. Como boa parte da minha infância eu nem tinha tantos brinquedos assim, dava asas a minha fértil imaginação, brincando de muitas formas. E isso era ótimo, pois fez com que eu passasse pelo período da separação dos meus pais da maneira menos traumática possível.
Na adolescencia, fui um guri que fazia muitas coisas no colégio. Eu era desses moleques agitadores, que reivindicavam muitas coisas pra escola, ouvia freneticamente raul seixas e legião, defendia as idéias do Ernesto Guevara, Marx, Comunismo... mesmo sem saber direito do que se travatam todas essas coisas. Acho que defendia mais por moda do que por idealismo. Que coisa...
Depois vieram os anos nos quais eu me tornei um moço mais ligado à Igreja: missas, encontros e mais encontros, reuniões, campanhas, retiros, cursos, palestras. Nisso foram seis anos. E posso dizer que se nem fosse esse período, não teria estrutura nenhuma de enfrentar essa turbulência que particularmente curto, mas é extremamente estressante.
Quando vim morar aqui, há quase um ano, deixando pra trás 10 anos, pessoas, lugares que marcaram para sempre minha medíocre existência, foi como todos aqueles sonhos de criança estivessem avivados no meu ser. O problema disso tudo é que eu já não tenho a mesma coragem e destreza de antes.
Por isso que hoje, quando acordei e fui dar uma olhada na minha bíblia, muitas lembranças vieram. A única pergunta que pensei e martela hoje é:
Na adolescencia, fui um guri que fazia muitas coisas no colégio. Eu era desses moleques agitadores, que reivindicavam muitas coisas pra escola, ouvia freneticamente raul seixas e legião, defendia as idéias do Ernesto Guevara, Marx, Comunismo... mesmo sem saber direito do que se travatam todas essas coisas. Acho que defendia mais por moda do que por idealismo. Que coisa...
Depois vieram os anos nos quais eu me tornei um moço mais ligado à Igreja: missas, encontros e mais encontros, reuniões, campanhas, retiros, cursos, palestras. Nisso foram seis anos. E posso dizer que se nem fosse esse período, não teria estrutura nenhuma de enfrentar essa turbulência que particularmente curto, mas é extremamente estressante.
Quando vim morar aqui, há quase um ano, deixando pra trás 10 anos, pessoas, lugares que marcaram para sempre minha medíocre existência, foi como todos aqueles sonhos de criança estivessem avivados no meu ser. O problema disso tudo é que eu já não tenho a mesma coragem e destreza de antes.
Por isso que hoje, quando acordei e fui dar uma olhada na minha bíblia, muitas lembranças vieram. A única pergunta que pensei e martela hoje é:
E AGORA JOSÉ?
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Amsterdã
Engraçado como 99,999% dos sonhos são bem estranhos. Usam umas linguagens próprias, um jeito de querer expressar nossos mais profundos pensamentos, o tal do subconsciente. Mas o sonho que tive essa noite foi super curioso. Eis a narrativa:
"Sonhei que estava em Amsterdã [sim, essa cidade... e sabe-se lá Deus por que, nunca tive curiosidade de conhecer a Holanda. Vai entender, né?] e, nessa cidade cheia de flores, castelos, praças, pessoas andando nas ruas, bicicletas, vendedores ambulantes, um crepúsculo duvidoso, mas bacana, entro numa loja de roupas de lã, acho super baratas as roupas e peço dinheiro emprestado à Martinha, uma amiga minha [nem no sonho perde a mania de ser, né neguinho, hummm]. Dois velhinhos meio desconfiados me atendem, e logo vou puxando um inglês sofrível [no sonho eu parecia muito mais fluente, é como se entendesse perfeitamente], respondido pela velhinha com um inglês carregadíssimo, mais sofrível ainda. Quando de repente o velhinho fala um português arrastado, mas fluente. Vejo que os casacos são para crianças, naum cabem em mim e saio meio desolado da loja. Daí entra a Jackou e passeia comigo pela praça, onde deslumbrados vemos um castelo bem bacana, junto a uma fonte bem bonita. Tudo isso num céu meio laranja, fim de tarde, bem bonito. Daí..."
Nessa hora eu acordo com os barulhos dos meus amáveis companheiros de casa. Por um milésimo de segundo eu pensei em xingar em alto e bom tom, mas em seguida veio o sonho como um flash. Dei risada, nada mais.
Dizem que os sonhos são avisos de coisas sobre nós mesmos. Se for verdade, senti que isso era um aviso muito bom, mesmo nem sabendo direito do que se trata.
Bem, é isso...
P.S: Assiti um filme francês muito bom ontem com o Ricardo. O filme é tão inteligente que de uma simples mentirinha que a personagem fez com sua mulher, desencadeou uma série de engraçados, mas ácidos transtornos. Fiquei pensando nisso antes de dormir: de como ações tão minúsculas que quase nem damos importância pode até mesmo azedar o dia de alguém, a vida de qq pessoa. Que coisa...
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Globeleza sou eu!!!
Lá vou eu, lá vou eu... [quero deixar explícito que eu me recuso a escrever essa letrinha ridícula no meu blog. Mas o espirito da coisa já tah por aqui e em qq lugar, né?]
Pois eh...
Quando cheguei em casa e liguei a tv, a primeira propaganda que vejo é a da mulata globeleza [e diga-se de passagem: que mulata, né?Oun... será que meu lado machocomtestosterona em todos os poros tá ativo? uia...]. Na hora um estalo no meu pensamento: já?! Mas ainda ontem estávamos no clima dingo bell, dingo bell, adeus ano-velho, feliz ano-novo e todo o bla bla bla sentimental e comercial. As coisas fluem rápido.
Ainda ontem meus amigos se deslocaram por mais de 600 km pra ver um neguinho magricela [e de quebra ver a praia, alguma coisa tinha que ser compensada, né?rs] e passar quatro dias em convivência estreita, bem melhor e menos artificial que o big brother.
Faz algum tempo que, de um jeito ou de outro, fico aqui falando sobre pessoas que tem corpos perfeitos, roupas perfeitas, cabelo perfeito e pares perfeitos. Esses dias nos quais eu fiquei na praia e vi que a vida real é bem diferente dos inúmeros milagres de recauchutagem que o renew e o botox apregoam resolvi fazer um culto à mim mesmo. Taí minhas características:
A) Sou negro, magricela, narigudo, pixaim e sexualmente pra maioria dos mortais com um defeito congênito.
B) Sou inteligentíssimo, ácido, estressado, educado, irônico, gosto de conhecer gente.
C) Às vezes de um jeito estranho, mas sempre prezo pelos meus amigos.
D) Dizem que sou uma pessoa até que fácil de convivência.
E) Sou chegado a um bom fervo, birita, sonzera de qualquer tipo, de sexo, de amor, de balada.
F) Ainda conservo toda a essência religiosa que um dia aprendi, e tenho certeza que pra alguém eu devo ter feito um bem, sem falsa modéstia.
E novamente olhando na tv e vendo aquela neguinha pelada, se requebrando toda, dou uma risada interna, levanto meu copo d'água e falo, em alto e bom tom:
GLOBELEZA SOU EU!!!
ENTENDERAM, NÉ?
BEM, CHEGA POR HOJE...
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Quanto vale...
Ora pois...
Ontem pela manhã, a caminho do trabalho, enquanto tentava ler Memória das Minhas Putas Tristes [é a terceira vez que leio esse livro, é tão bom que nem me importo se já sei de cabo a rabo toda a história], um menino que estava sentado no banco atrás do meu falava sem parar sobre as séries do Warner Channel. Eram tantas, e tantos eram os detalhes que mesmo eu, que sequer tenho tv a cabo, soube de tudo o que se passa. Dae quando vou pra casa e dou uma zapeada no Big Brother, vejo que a Globo escolheu apenas modelos pra essa 7ª edição, ninguém com um dente torto, uma carinha mais ou menos, ou que tenha uns 40 e todos [ou os cremes que eles usam são eficentíssimos ou eu é que sou ingênuo, rs]. Tudo bonitinho, até demais pro meu gosto. Acho que levaram muito a sério a frase do Vinícius de Moraes, enfim...
Nesse mesmo dia recebo um telefonema não muito agradável, tenho uma conversa menos agradável ainda com um colega de trabalho. O papo começou sobre amenidades, mas os assuntos foram se tornando mais densos até que, pelos pontos de vista do menino, eu me senti uma barata-tonta, desprovida de objetivos, direcionamentos, ou qualquer outra coisa que o valha. E sabe o que é pior disso tudo? É que em parte ele tem razão.
E pra deixar meus dias mais nebulosos, domingo ouvi um negócio de um amigo que simplesmente estou em estado de choque até agora. Não sei se pela falsa moralidade que quis tomar conta de mim quando soube do que o menino me contou [e que graças a Deus logo a expulsei], ou pela minha situação: sem dinheiro, sem rumo, desejando alguém que nem está aqui, descompassado de amor-próprio. Não sei também se pelo meu estado febril desses dias, devido a gripe fdp, que contribuiu para que eu pensasse tudo isso ao mesmo tempo. Só sei que antes de chegar em casa e ver o que a tv insiste em vender pra nós, simples mortais à mercê da programação por vezes emburrecedora, fui ao mercado e comprei gengibre, alho e limão, com o intuito de fazer um chá levanta-defunto.
Curiosamente, esse livro sempre traz direcionamentos para minhas angústias. Eis alguns trechos:
"Fique sabendo, Delgadina, a fama é uma senhora muito gorda que não dorme com a gente, mas quando a gente desperta ela está sempre olhando para nós, aos pés da cama"(p.77).
"Me pergunto como pude sucumbir nessa vertigem perpétua que eu mesmo provocava e temia. Flutuava entre nuvens erráticas e falava sozinho diante do espelho com a vã ilusão de averiguar quem sou" (p.75).
"Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio."(p.74).
"Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego. Havia perdido mais de quinze anos tratando de traduzir os cantos de Leopardi, e só naquela tarde os sentia a fundo: ai de mim, se for amor, como atormenta" (p.95).
"A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam"(p.13).
Acho que nem preciso dizer mais nada, né?
bem, é isso...
sábado, 6 de janeiro de 2007
Have You Confessed?
Seis de janeiro de 2007. Aniversário de alguém distante pra mim, mas que continua presente nas minhas lembranças, de um jeito doce, suave, mas vigoroso. Dia de reis magos, a simbologia dessa data significativa no ar me deixa assim. Dois mil e sete: duas mil e sete maneiras de começar um ano, um projeto, algo que dê sentido, que faça sentir bem, simples assim. Afinal, o que é se sentir bem? Boa pergunta pros dias de hoje. Especificamente, pros meus dias atuais...
Então é isso? É a esse mundinho no qual eu me pertenço? Até que ponto sou o diferencial dele?
Ouço Get Togheter enquanto escrevo esses pensamentos entrecortados, penso nas coisas que eu gostaria de fazer e que por inúmeras razões nem fiz ainda, mas que cedo ou tarde darei um jeitinho de fazer, eu me conheço. Ontem contei coisas muito íntimas a dois amigos que definitivamente não contei pra ninguém, nem mesmo pra minha irmã, pessoa na qual eu posso contar tudo sem medo nenhum do que ela dirá, pois além de respeitar deveras a opinião dela, sei que o que disser fará muito a diferença. Ser teimoso que sou, quase nunca sigo o que as pessoas dizem, apesar de ouvir respeitosamente. Tenho a filosofia de que eu devo seguir o que acredito. Nem que o mundo duvide, eu acreditando é o que basta. Como por exemplo a vontade enorme que sinto de pegar umas roupas, viajar pra bem longe. Apenas pra ver seus belos olhos, ver se esse negócio realmente vale a pena ou se é mais uma enganação [dentre muitas, é normal a gente se enganar. Difícil é admitir que enganou. Sorry!] de minha parte.
A pressão interna que sinto de dar um rumo na minha vida é grande. A questão é: até que ponto eu quero? Antes eu tinha pelo menos uma noção de como é que eu estaria daqui há seis meses, um ano. Hoje sequer sei como será meu dia de amanhã. Pelo menos isso é mais honesto e bem menos frustrante, pois odeio pensar na idéia de que, quando chega o fim de um ciclo, seja faculdade, trabalho, ano, relacionamento ou qualquer outra coisa que valha, ficar avaliando os contras, me torturando pelas coisas que nem consegui, fracassei, ou magoei e/ou fui magoado.
HAVE YOU CONFESSED?
É uma pergunta oportuna para este sábado, para este ano, para esta vida. Não é atoa que a tradução dessa música bacana do U2 [Beautiful Day], caiu como uma luva nos meus dedos.
Tradução de "BEAUTIFUL DAY", do U2
"DIA LINDO"
O coração é uma flor
Floresce rápido em meio ao chão pedregoso
Não há nenhum cômodo nenhum espaço para alugar nesta cidade
Você está sem sorte
E sem o motivo que tinha para importar-se
O trânsito está parado
E você não está se movendo para lugar algum
Você pensou que encontraria um amigo
Para te tirar deste lugar
Alguém a quem você poderia dar uma mão
Em retribuição à boa vontade
Está um dia lindo
O céu desaba, parece-lhe
Que é um lindo dia
Está um lindo dia
Não deixe-o escapar
Você está na estrada
Mas você não tem nenhum destino
Você está na lama
No labirinto da imaginação dela
Você ama esta cidade
Ainda que isso não soe verdadeiro
Você esteve em todo lugar
E estava em você todo
Está um lindo dia
Não deixe-o escapar
Está um lindo dia
Toque-me
Leve-me para aquele outro lugar
Ensine-me
Eu sei que não sou um caso perdido
Veja o mundo de verde e azul
Veja a China bem na frente de você
Veja a nuvem atravessando os canyons*
Veja os cardumes de atum fugindo rápido no mar
Veja os fogos dos beduínos à noite
Veja os campos de petróleo à primeira luz do dia
E veja o pássaro com uma folha na boca
Após a enchente, todas as cores apareceram**
Estava um dia lindo
Não deixe-o escapar
Dia lindo
Toque-me
Leve-me para aquele outro lugar
Ensine-me
Eu sei que não é um caso sem esperança
O que você não tem, você não precisa agora
O que você não sabe, você pode sentir de algum modo
O que você não tem, você não precisa agora
Não precisa agora
Estava um lindo dia
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* "Canyon" significa "desfiladeiro", passagem estreita entre as montanhas.
** Referência ao surgimento do arco-íris após o fim do Dilúvio ("The Flood", em inglês).
(achei num fotolog de um tal de professor Artur que nunca vi na vida enquanto pensava no que confessar neste sábado chuvoso)
Bem, é isso...
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